Dia desses, perambulando pelas imediações da escola do meu filho equanto aguardava sua saída das aulas, encontrei num jornaleiro um expositor com os excelentes livros de bolso da gaúcha L&PM. E dei de cara com esse título do John Fante, "1933 foi um ano ruim", que já havia me chamado a atenção outras vezes.Desta vez, acabei comprando e lendo. Foi minha última leitura antes de voltar das férias.
E foi uma grata surpresa, como diria o Galvão Bueno. Embora ache meio estranho que locutor global se interesse pela obra do Fante. O livro conta, numa linguagem moderna e aparentemente descuidada (a história é contada pelo narrador, Dominic Molise, que tem 17 anos) a história de um rapaz pobre, descendente de imigrantes italianos, no cenário da crise da década de 1930 nos Estados Unidos.
John Fante nasceu em 1909 e foi um autor bastante considerado entre outros escritores conterrâneos. Seu livro mais famoso é "Pergunte ao pó", que pretendo ler em breve, assim que sobrar tempo. O estranho é que esta pequena obra-prima, "1933...", tenha sido recusada por várias editoras e publicada apenas postumamente.
Durante sua turbulenta vida, John Fante amargou recusas de editores e padeceu da falta de reconhecimento pelo seu trabalho, não muito extenso mas que bastou para chamar a atenção de ícones como Charles Bukowski e influenciar a turma da geração beat, como Jack Kerouac. No entanto, teve de ganhar a vida muitas vezes como roteirista de Hollywood, outra ironia do destino.1933 é um livro sobre a crise econômica e suas consequências nas vidas das pessoas comuns, que não vêem como construir um futuro à margem do sistema. Como o protagonista, cuja única saída para superar a miséria seria tornar-se um jogador de beisebol. Mas como, se não tem um tostão no bolso e todas as portas estão fechadas para ele?
Um romance relativamente curto, com uma história quase banal, mas de uma densidade humana e uma força narrativa que há muito eu não via.
É marcante a maneira como é conduzido o episódio da paixão de Dominic por Dorothy (mesmo nome da garota do mundo de Oz. Uma ironia?), menina rica e irmã do seu melhor amigo.
Mais não adianta dizer. Melhor recomendar a leitura da história de Dominic Molise.
E assim, para quem acompanha meus posts há várias semanas, acabei saltando ironicamente do futebol para o beisebol. Mas volto ao nosso esporte preferido a qualquer momento...
Um romance relativamente curto, com uma história quase banal, mas de uma densidade humana e uma força narrativa que há muito eu não via.
É marcante a maneira como é conduzido o episódio da paixão de Dominic por Dorothy (mesmo nome da garota do mundo de Oz. Uma ironia?), menina rica e irmã do seu melhor amigo.
Mais não adianta dizer. Melhor recomendar a leitura da história de Dominic Molise.
E assim, para quem acompanha meus posts há várias semanas, acabei saltando ironicamente do futebol para o beisebol. Mas volto ao nosso esporte preferido a qualquer momento...