
Foi uma noite corintiana em Porto Alegre. Uma noite de um time que soube enfrentar o caldeirão do Beira-Rio, onde o dono da casa ainda não havia perdido este ano. Foi noite alvinegra, de Ronaldo, de Douglas, de Dentinho.
Teve a raça do Alessandro. A liderança do William. O talento do Douglas e do Chicão.
Teve o brilho costumeiro da dupla Elias e Christian, anulando a armação de D'Alessandro e do meio-campo inimigo. E a elasticidade do Felipe, mais uma vez salvando a meta em momentos decisivos.
E a categoria do André Santos.
Teve a inteliz campanha do presidente colorado, Fernando Carvalho, brandindo um DVD que só fez mesmo mexer com os brios do adversário.
Um árbitro jovem, tido como inexperiente, passou pelo batismo de fogo e surpreendeu pelo equilíbrio em meio ao clima de guerra criado no Beira-Rio.
Ameaças e acusações.
Há muito o que falar, mas a imprensa se encarrega disso. Da festa. Dos comentários. Das declarações e previsões para o futuro.
O Corínthians é o maior vencedor da Copa do Brasil dentre os paulistas.
É o único clube brasileiro garantido na Libertadores de 2010, ano do seu centenário. Ao contrário do rival da decisão, que venceu inúmeras decisões nos últimos anos, mas não conseguir ir ao torneio continental no ano do seu centenário.
São três títulos corintianos este ano: Copa São Paulo de Juniores, Campeonato Paulista e Copa do Brasil.
O técnico Mano Menezes mereceria uma análise à parte. Sabe, como ninguém no país atualmente, montar um time vencedor. Como montar um projeto sério e consistente, com administração e planejamento.
O Corínthians saiu estraçalhado de 2007. Em 2009 é apontado como um dos favoritos para o Brasileirão. A conquista da série B não tem valor? O Vasco que o diga...
Mas tem uma figura que veio se agigantando nos últimos jogos do fatídico mata-mata da Copa do Brasil. Chama-se Jorge Henrique. Baixinho, 1,69 de altura, é um perigo quando surge na área, cabeceando contra a meta inimiga. Corre o tempo todo. É leve, ágil, solidário. Marca o adversário quando seu time não tem a bola. Quando avança pelas laterais ou pela meia, leva velocidade e qualidade ao ataque.
Mas não é estrela. É um pequeno guerreiro.
Emocionou-se ao final do jogo. Sua conquista particular é tão importante quando a do seu time. Menino pobre, passou dificuldades. Perdeu o pai na infância. Foi criado pela tia. Venceu a vida e venceu no futebol. Driblou as necessidades, como tantos craques anônimos no interior deste país.
Para mim, é a personagem que simboliza esta campanha do Corínthians na Copa do Brasil. Sua arte, feita de humildade e surpresa.
Jorge Henrique, e seus gols decisivos. Hoje, símbolo da própria alma alvinegra numa noite de guerra e festa.