
Meu caro twitteiro Mano Menezes,
Tomo a liberdade de lhe escrever estas mal-traçadas linhas, que você provavelmente nunca lerá, mas que estão carregadas do sentimento de decepção. Não com você, nem com o time que está tentando reconstituir. Mas com o atual momento. Desta vez, quem jogou a toalha fui eu, como torcedor. Se fosse um paulista fanático, não estaria tão triste, porque vejo que a supremacia paulista dos últimos Brasileirões não deve ser abalada. Conosco fora da briga, deve dar Palmeiras ou, em caso de desastre, São Paulo. Pois é, os caras correm o risco de ser heptacampeões.
Aliás, este domingo triste e chuvoso tem tudo a ver com o acontecido. O Rubinho também deve ter jogado a toalha, ele que - também - é tão corintiano.
Como sou mano do Mano, tomo a liberdade de lhe fazer uma confidência: como o Douglas era importante, para o time, hein?
Era daquele tipo de jogador que a gente só percebe que era importante depois que sai do time.
Dos três craques que foram embora este ano, ele era taticamente o mais importante. O futebol está cheio de exemplos assim. Jogador que não aparece muito em campo, e por isso mesmo, o time cai de produção quando ele fica ausente. E a relação entre uma coisa e outra sem sempre fica clara.
Mas foi a saída dele que desmontou o Corínthians, para alegria dos adversários.
Com ele, o Ronaldo jogava lá na frente, tranquilo, porque uma hora ou outra, as bolas chegavam nela.
Dentinho e Jorge Henrique ficavam à vontade nos espaços laterais do campo, pois sabiam que para receberem um lançamento redondo era só questão de tempo.
Por mais que o Douglas parecesse jogar parado.
Por mais que ele parecesse estar desligado em campo.
Por mais que ele fosse fraco na marcação. E ainda errasse passes.
É que, mais do que armar o jogo, enfiar bolas para os atacantes ou melhorar o toque de bola, ele dava cadência ao time.
Por isso, não adianta a explosão do Edno ou a velocidade do De Federico. O Corínthians parece estar se perdendo justamente na velocidade descontrolada. Começamos partindo para cima do Goiás e do Atlético Paranaense, e não deu certo. Eles se trancaram na defesa, e exploraram nosso 4-3-3 em forma de contra-ataques. Mataram o Timão. Já contra o Coritiba e o São Paulo, quando fomos mais cautelosos, o desastre não foi tão grande. Aliás, contra o São Paulo, a mãozinha do juíz ajudou um pouquinho, né...?
Mas é isso.
Mano, quando deixamos o Douglas ir embora, não sabíamos a besteira que estávamos fazendo. Ganhamos tudo no primeiro semestre. Mas depois... arre!
No entanto, se o Edno ou o De Federico tiverem o feeling, o tempo de bola do Douglas, a cadência que ilude a marcação do inimigo, estaremos começando a reencontrar o caminho certo. O caminho para 2010.
Um abraço, boa sorte e saudações corintianas.