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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Paulo Vanzolini (1924 - 2013)

Leio nos principais sites da internet que o samba de São Paulo está mais triste. Acaba de deixar este mundo o sambista Paulo Vanzolini, autor de "Ronda" e "Volta por cima", principalmente. Assim como outros sambistas paulistanos, tinha sobrenome italiano. A exemplo do grande Adoniram, que era também Rubinato. João Rubinato. Talvez algum caricaturista tenha se lembrado de reuni-los no céu, em uma mesa de boteco lá no céu, de camisola e asinhas de anjo, batucando um samba.
Para mim, o Paulo Vanzolini é lenda há um bom tempo.
O sambista que preferia ser zoólogo, cientista respeitado.
Uma das lendas a seu respeito reza que ele utilizava o dinheiro ganho com direitos autorais para financiar suas pesquisas.
Outra história interessante: enquanto sua bela e espirituosa embolada "Balbina" era apresentada por outro intérprete em um festival de música em São Paulo (ou Rio?), ele estava enfiado nos confins da amazônia em uma de suas pesquisas sobre répteis, outra de suas grandes paixões. A letra de "Balbina", muito bem-humorada, tem um caimento perfeito com a melodia: "Não vou na sua casa e não é à toa / Ando ressabiado com tua patroa / Não sei se ela achou graça / Nós entrarmos na cachaça / Em companhia da empregada / Você diz que não é nada mas acho capaz / De ela estar zangada...".
Infelizmente, não foi sequer para as finais daquele festival, e talvez seja lembrada somente por aficcionados da MPB como eu...
Quanto a "Ronda", outra história interessante: ele não gostava de ser associado ao sucesso da sua criação. "De noite eu rondo a cidade a te procurar... sem encontrar...". Não gostava, achava um dramalhão barato. Bobagem. A música é um retrato inesquecível da noite boêmia paulistana.

Mas "Volta por cima" é inquestionável. Um samba antológico, com um toque paulistano, mas, acima de tudo, com alma brasileira. Me lembro perfeitamente da primeira vez que ouvi a música. Rodava um LP antigo da Maria Bethania, "Drama", gravado a partir de um show, e que ia emendando uma música na outra.  Eu estava ocupado com outra coisa e o disco rodando em background. De repente ela começou a cantar "Volta por cima":
          Chorei. Não precisei esconder.
          Todos viram. Fingiram.
          Pena de mim, não precisava...
          Ali onde eu chorei qualquer um chorava.
          Dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava...
          [ ... ]
Ali estava outro retrato inesquecível, com DNA da mais fina MPB.
Tive de parar tudo. E depois repetir a faixa um sem-número de vezes.
Paulo Vanzolini foi muito importante para a USP na sua área de pesquisa. Deixou uma colaboração marcante para a biologia, em nossos meios acadêmicos. O samba não era sua atividade profissional.
Imagina se fosse...

domingo, 17 de março de 2013

Absurdo! Livro de Alexandre Azevedo taxado de racista



                O vereador baiano Sílvio Humberto parece ter conseguido seus quinze minutos de fama ao denunciar como racista um dos mais de cem livros publicados pelo professor, filósofo e escritor Alexandre Azevedo. Definitivamente, conseguiu aparecer. Criar um factoide, bem ao estilo do líder populista carioca César Maia.
                Sinto, mas não vou gastar mais de um parágrafo a quem parece não ter compromisso com uma análise mais equilibrada dos fatos. Melhor falar a respeito da obra que causou tanta polêmica. Tenho comigo um exemplar da primeira edição (Editora Paulus, 1995), autografada pelo próprio autor em Ribeirão Preto. Resolvi reler o livrinho, direcionado às crianças recém-alfabetizadas. Trata-se de um poema de apenas quarenta versos, que conta a história da menina Fernanda e suas duas bonecas: uma nova e bonita, e outra velha e feia (feia por ser velha, já gasta, maltratada, surrada pelo uso, como todos os brinquedos que fazem sucesso com as crianças). Ao que parece, o distinto vereador sequer se deu ao trabalho de ler com atenção esses poucos quarenta versos. Deve ter subido à tribuna baseado em informações alheias. Porque tentei, com toda a isenção possível, enxergar qualquer traço de racismo oculto nos quarenta pequenos versos, e não consegui.
                Aliás, nós mal ficamos sequer sabendo quais são os atributos físicos das bonecas em questão. Sabemos que a boneca bonita (que ao final é rejeitada pela menina, que prefere a boneca “feia”) tem “grandes olhos azulados”. E nada é dito da boneca feia. Será morena então? Será oriental? Terá aparência indígena? O texto não diz nada a respeito. Muito menos que a boneca é negra.
                Ora, o racismo é um crime condenável, abominável. Tanto que é inafiançável. Quem irá contra isso? Mas uma coisa é o crime constatado e provado. Outra é o oportunismo. Posso falar de cadeira, pois tenho ascendentes africanos e me orgulho disso. Parece-me que alguns professores e um certo político viram nesse caso uma oportunidade para se sobressair na mídia. Ou algo que o valha.
                Poderia ser que o ilustrador houvesse sido levado, por algum motivo inconfessável, a desenhar uma bonequinha negra – o que também não ocorreu – mas mesmo assim não seria o caso de acusar o autor do texto. Para quem não sabe, o escritor dificilmente interfere e dá diretrizes na ilustração e no projeto gráfico da obra.
                Onde está a liberdade de expressão no estado de Ruy Barbosa, de Castro Alves, de Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro? É muito simples subir numa tribuna e, em minutos, condenar uma obra literária, taxando-a de racista, de preconceituosa ou o que quer que seja. E, dessa maneira, tentar desmerecer um professor de Literatura com mais de cem livros publicados e mais de vinte anos de trabalho pela cultura brasileira, levando, de norte a sul do país, uma mensagem de incentivo à leitura às nossas crianças e aos nossos jovens. É provável que essas pessoas sequer tenham se preocupado em conhecer melhor a biografia desse autor. Essas pessoas não fazem ideia das dificuldades por que passa um escritor que tenta honestamente viver de sua produção literária num país como o nosso, ainda sem tradição maciça de leitura, mesmo entre adultos com alguma cultura e formação acadêmica, infelizmente.
                Julguem por si mesmos, senhores, os versos causadores da polêmica, segundo uma nota assinada pela própria Fundação Palmares:
Fernanda tem duas bonecas.
Uma é linda de se ver.
A outra, coitadinha, é feinha de doer.
A bonita tem cabelo loiro, todo ele trançado.
Quando se puxa uma corda,
vira a cabecinha para o lado.
A feia tem pouco cabelo,
de tanto que já foi puxado.
Não tem pilha, não tem corda,
não se move para o lado

Onde está o racismo mesmo? Será que também personagem com pouco cabelo agora é indício de racismo?
                Mas o Alexandre não está em má companhia, muito ao contrário. Está em companhia, por exemplo, de Monteiro Lobato. Se houvesse encontrado pessoas tão intolerantes em sua época, o criador de Emília, Dona Benta e Tia Nastácia, talvez tivesse sido banido das escolas e das prateleiras das livrarias, deixando de divertir e instruir milhões de crianças até hoje. Felizmente isso não aconteceu e, apesar de certas reações paranoicas, ele continua a ser o mais conhecido, respeitado e querido escritor de livros infanto-juvenis do nosso país.
                Graciliano Ramos, um dos gênios da nossa literatura, foi acusado de antissemitismo.
                Joseph Conrad, escritor de origem polonesa que escreveu algumas obras-primas da literatura inglesa do século XIX (“Lord Jim”, “Linha de Sombra”, “Coração das Trevas”), também foi acusado de preconceituoso e racista. Só para ficar na Inglaterra, temos outro gigante da literatura, Charles Dickens (“Grandes Esperanças”, “David Coperfield”, “Oliver Twist”, entre tantos outros) que foi taxado de antissemita por algumas frases dentre aquelas suas dezenas de milhares de páginas que orgulham a literatura ocidental.
                Ah! Como é fácil fazer barulho em torno do trabalho alheio. Outros grandes autores poderiam ser lembrados. Mas, para concluir, basta ficarmos com um dos maiores fundadores da literatura moderna. William Shakespeare. Racista, antissemita e inimigo do Islã. Sim, também ele foi acusado de racismo porque Otelo era mouro e tem momentos de fúria, ao receber a notícia da traição de Desdêmona. E porque Shylock (“O mercador de Veneza”) era um judeu mesquinho.
                Melhor ficar por aqui. O absurdo é muito grande. Mas ele se junta à lista interminável de aberrações semelhantes do longo da história. Volto a repetir: o racismo é abominável, inaceitável e indesculpável. Se alguém tiver dúvida a respeito das ideias que defendo, por favor, dê-se ao trabalho de conhecer alguns dos meus livros, como “Resgate de Amor”, “A Fúria do Mundo” ou “A estrada de San Martín”.
                Porém, tão importante quanto combater esse execrável chaga da humanidade é saber reconhecer o racismo onde ele realmente está, distinguindo-o da mera liberdade da criação literária.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Yacamim, a floresta sem fim

Estou de volta depois de uma certa ausência.
Alguns compromissos, alguma correria, pequenos problemas. Às vezes parece que nosso tempo fica curto e vinte e quatro horas passam num sopro.
Mas aqui estou para falar da nova versão de "Yacamim, a floresta sem fim", cuja nova edição, com um belo projeto gráfico da Germana Viana, acaba de sair pela Giz Editorial. Aliás, a foto acima foi "capturada" de uma imagem do estúdio da ilustradora.
Yacamim é um trabalho pelo qual tenho muito carinho. Nele está muito da minha visão pessoal de mundo, da vida, de como a fantasia e a realidade se abraçam para a criação de universos únicos no imaginário de cada um de nós.
É uma história de persistência, de desafio e de descobertas. Mas não vou falar aqui de teorias literárias, nem fazer uma resenha, nem antecipar a história. Deixo todas as descobertas para vocês, leitores.
Mas o legal do trabalho foi o envolvimento diário de toda a equipe: as editoras Simone Matheus e Giulia Moon, a ilustradora Germana Viana e este autor que vos fala (apesar da distância física de São Paulo), conseguimos discutir e resolver cada um dos desafios que foram surgindo ao longo do projeto.
E as ilustrações, que considero um dos pontos fortes do livro, pois serão a primeira comunicação da história com o (candidato a) leitor, traduziram bem as cenas e momentos importantes da aventura da pequena e solitária Keila pelos mistérios dessa floresta encantada. Cumpriram seu papel de completar o texto e, mais do que isso, dialogar com ele, enriquecendo-o.
Mais do que isso, só mesmo bebendo da fonte do próprio livro... para conferir em primeira mão o trabalho dessa equipe maravilhosa que trabalhou comigo, ajudando a dar vida à novíssima edição de Yacamim.
E, para concluir, fiquem com uma das ilustrações da Germana Viana, que faz parte do livro.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Mais um pouco de Harry Potter

Estou de volta. A esta altura, como podem imaginar, já concluí o primeiro volume e iniciei o segundo. As impressões que descrevi no post anterior se fortaleceram com a leitura da segunda parte de “Harry Potter e a pedra filosofal”. Ganharam mais intensidade as qualidades que vislumbrei na leitura da primeira parte desse livro.
No entanto, depois que escrevi o post e voltei à leitura (dentre tantas outras atividades do dia-a-dia), eu me senti tentado a comparar o livro com outro monumento de vendas arrasadoras que li há alguns anos: “A sombra do vento”. Ele é bem mais competente na construção da ambientação, que julgo ser um dos pontos fortes de Rowling. Sem que haja perda do ritmo da narrativa ou do próprio correr do texto, o autor (o catalão Carlos Ruíz Zafon) constrói um cenário igualmente gótico mas com mais riqueza de detalhes e profundidade. Verdade que o livro é mais amplo e possui mais unidade do que a que se encontra nos sete volumes do bruxinho (é preciso retomar as informações a cada novo volume, supondo que esteja sendo lido por alguém que ainda não conhece os episódios dos livros anteriores...). E também é verdade que o romance catalão dá mais ênfase aos conflitos e ao mundo interior das personagens, em oposição ao mundo palpável, tirando desse conflito toda uma arquitetura específica. Que não é nem o mundo exterior de uma Barcelona de qualquer época, e nem é apenas a paisagem interna dos protagonistas, sempre movediça.
Também o público leitor dessas duas obras é completamente diverso. Logo, as expectativas de cada um deles, são igualmente diferentes.
A autora de Harry Potter, no entanto, às vezes é feliz na descrição desses cenários com poucas pinceladas. Como na descrição das passagens na casa do Rony, na primeira metade do segundo livro (“Harry Potter e a câmara secreta”). Porém, tem momentos em que o mundo que se pretende construir cai no vazio por falta de consistência.
Essa mesma consistência parece inexistir em algumas passagens do segundo volume. Por exemplo, o episódio em que Rony  “toma emprestado” o carro que seu pai adaptou (ou enfeitiçou) para voar. Ou o sentimento bobo de admiração que seu pai tem em relação ao mundo dos “trouxas”, sendo que o mundo dos magos seria muito mais atraente e emocionante. A própria situação de tensão entre este nosso mundinho comum e dos bruxos parece muito contraditório, mesmo dentro do contexto fantástico da obra.
Porém, é cedo ainda para mais conclusões.
O fato é que as construções impressionantes de J. K. Rowling atrairam multidões, e acabaram por fazer emergir, da sua imaginação, um mundo gigantesco e consistente em torno de Howgwarts. Essa é a grande e eterna magia da literatura. Ou seja, o segredo dos seus mistérios ainda está longe de ser desvendado. Mas voltaremos ao tema ainda, qualquer dia desses.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O segredo de Harry Potter

Desta vez não teve jeito. Fui coagido pela minha filha Thaís, de dez anos, a começar a ler Harry Potter. O argumento era forte, quase infalível. Se eu sou um autor de livros infanto-juvenis, se adoro ler, por que então ainda não conhecia a saga do maior sucesso em livro, amado e lido por crianças e jovens do mundo todo, e também sucesso em filme, vídeo, jogos, parques, e tudo o mais?

Sim, era uma esquisita e incômoda contradição.
Além do mais, eu nem teria a desculpa de que seria difícil encontrar o livro. Se não tivéssemos um exemplar em casa (e tínhamos!), seria fácil de encontrar o primeiro volume da série (Harry Potter e a pedra filosofal) em qualquer livraria ou sebo da cidade.
Pois bem. Aceitei o desafio, com a condição de ir lendo a aventura aos poucos e nas horas de folga.
Finalmente, eu iria decifrar o mistério e o segredo de Harry Potter.
Não o da personagem.
Mas o da monumental criação literária de J. K. Rowling.
A princípio me espantou o ritmo da narrativa. A autora não parece preocupada em criar grandes momentos de suspense. Ou, se engendrou cuidadosamente as passagens de um capítulo para outro, para criar um suspense fabricado, forçando o leitor a avançar desesperado para o capítulo seguinte, então ela disfarçou bem a técnica.
Aparentemente, conta a história de um menino que descobre pertencer a uma família de bruxos. A partir daí, será encaminhado para uma famosa escola de bruxaria, Howgwarts. Uma história aparentemente banal. Mas que consegue prender o leitor desde as primeiras páginas.
Ou seja, ela é boa nisso.
O vocabulário também é bastante estudado. O repertório da autora consegue descrever as cenas e os ambientes em poucas palavras, mas deixando uma impressão forte e bem construída no leitor. Mas sem palavras complicadas. As que aparecem no texto são justamente os nomes criados para caracterizar o universo mágico da personagem. Ou seja, qualquer leitor de oito ou nove anos com um mínimo de experiência e vontade, como foi o caso da Thaís, tira de letra.
E aí surgem mais dois componentes interessantes e igualmente determinantes. As personagens, principalmente o protagonista, acabam por cativar o leitor, apesar dos estereótipos terríveis como a varinha mágica e a tão batida vassoura voadora. Ela até que foi ousada em apostar nesses velhos componentes. E acabou por convencer.
Esses e outros elementos parecem ficar bem colocados dentro do contexto geral da história. Ainda há outras personagens interessantes, como o gigante Hagrid e os professores do colégio de bruxos, ou o colega Draco, o vilãozinho pedante.
Bem, estou apenas na metade do primeiro volume, “Harry Potter e a pedra filosofal”. E olhem aí outro elemento batido em tantas histórias boas e más, a tal pedra filosofal. Mas já deu para ter uma ideia daquilo que seria talvez o componente decisivo, que deu força à série e encantou definitivamente os leitores: a ambientação das cenas.
Até agora me parece que a autora, com muita competência (sim, podem falar o que quiserem, mas para vender milhões e milhões de livros em dezenas de línguas pelo mundo todo, é preciso ser competente no que se faz...) conseguiu driblar os pontos fracos, os estereótipos e as cenas pouco convincentes, para usufruir do lado forte da sua criação: as personagens, que conseguem conquistar os leitores de assalto, e os ambientes, com ricas referências em poucas palavras, jogando o leitor imediatamente na atmosfera da cena.
Não, não chegarei a ser um fanático, desses que vão ao parque da Universal Studios e trazem para casa até as varinhas mágicas do Harry Potter, dentre tantos outros suvenires. Ou, como se intitulam os loucos pelo bruxinho, um Potterhead.
Mas vou em frente. Não está sendo tão difícil assim.
E a qualquer momento, prometo que vou voltar aqui para falar de outras impressões.
Até!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Livros que a gente nunca esquece...


Não faço a menor ideia de quantos livros já li nesta vida. Já ouvi dizer que há pessoas que, tão organizadas, anotam num caderno todos os livros e filmes que assistem. Imagine se eu conseguiria fazer isso! Nem em outra vida.
Mas há livros que não precisam ser anotados. Eles simplesmente ficam gravados em nossa memória para sempre. Como esquecer as aventuras dos "Meninos da Rua Paulo", do húngaro Férenc Mólnar, que li aos doze anos depois de ganhar de presente de fim de ano do professor João Castilho ainda lá em Itapeva? E assim como Drummond, devorei "Robinson Crusoe", quem sabe também em um distante quintal da minha infância. E acho que foi também por essa época que li aquele estranho "A revolta dos anjos", do Anatole France.
E - pasmem! - li um conto policial interessante e não gostei. Não vou me lembrar qual, mas acho que era "O último adeus de Sherlock Holmes". Àquele garoto do interior, sem condições de viajar pelo mundo, os livros me mostraram muito mais: as  profundezas das "Vinte Mil Léguas Submarinas" e de outra viagem ao centro da terra. Os piratas de Emílio Salgari e de Somerset Maughan, e as terras inalcançáveis do Nunca.
Mas somos feitos também dos livros que não lemos.
Eles povoam nosso imaginário como fantasmas.
Ainda vou ler "Quo Vadis". E "O senhor dos Aneis". E "Guerra e Paz". E tantos outros. E reler os livros de que já me esqueci.
Outro dia parei diante da TV para assistir ao "Piratas do Caribe", o terceiro filme da tetralogia. Bonito, inventivo, instigante. Acho que eu poderia dizer mesmo... fascinante, cheio de surpresas. E os efeitos especiais então?
Mas parecia que faltava algo.
O cinema - e não só o americano - ficou rápido, maravilhoso demais, sem fôlego.
Sinto falta das pausas. Dos silêncios. Dos espaços em branco.
De um cheiro de papel velho, de livro antigo, encontrado no fundo de um porão.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Tecnologias outras...


     Outro dia, conversando com meu amigo Fernando Vaz, acabei relembrando dos tempos em que batucava na minha velha e saudosa máquina de escrever Olivetti, ao invés dos teclados eletrônicos de desktops e notebooks.
     Que coisa! O que são a vida, o tempo, a evolução!
     Meu filho tem dezesseis anos, e deve ter visto uma máquina de escrever só em ilustração. Acho que nunca tocou de verdade em uma. Minha caçula então, nem se fala. E no entanto, o pai escreveu tantos textos, primeiro em uma Hermes portátil, depois em duas Olivetti. Tá certo, foi no século passado. Mas parece que foi há quase cem anos.
     Máquina fotográfica, tive uma Nikon maravilhosa, profissional. Hoje, não serve nem para museu. Quem adivinharia que um dia a Kodak iria pedir concordata, por ter perdido a liderança e o monopólio da indústria fotográfica, ela que imperou até mesmo na máquina do cinema americano?
     Bem, são pensamentos malucos (mas não necessariamente saudosistas) de um domingo de carnaval...
     Acho que a tecnologia sempre faz o mundo melhor. O que o homem faz do mundo e da tecnologia é que é a questão.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Homem-aranha, 50 anos

Quem nunca se divertiu com as aventuras do rapaz da teia, aí abaixo?


Parabéns, Aranha! Apesar da fantasia, da radioatividade e da teia, talvez o mais humano dos super-heróis que inventaram...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Os americanos estão de volta...


Outro dia estava pulando "de galho em galho" entre os canais de filmes na tevê, e me deparei com um filme americano sobre a Copa de 1950 no Brasil. Mais precisamente, sobre a participação dos heróis (isso mesmo, todo filme médio americano tem seus heróis, seus exemplos de superação e patriotismo etc, como nós todos sabemos...) da seleção norte-americana no jogo contra os tradicionais ingleses. Àquela altura, apesar do poderio sul-americano, os britânicos eram os donos da bola. A julgar pelas informações do filme, eles se deram ao luxo de deixar alguns titulares em casa, mas ou menos como faria uma seleção de basquete americana que fosse disputar um título mundial.
O filme (se não me engano se chama "O jogo das suas vidas" ou algo assim, acho que o título é outro em português) retrata a seleção como um grupo de amadores que irá defender as cores do seu país por puro patriotismo. Nem uniforme eles têm. O futebol, que eles chamam de soccer em oposição ao football, que para eles é outra coisa, não era, na época, nem um pouco conhecido ou valorizado por lá. Até hoje, ainda é coisa de negros e latinos, imaginem.
Bem, a verdade é que os yankees bateram os bretões por um a zero, numa das maiores surpresas de todas as Copas, só superada pela vitória da Coréia do Norte sobre a Itália em 1966.
O duelo volta a se repetir daqui a alguns dias nesta Copa. Aí, fico aqui pensando com meus botões: e se a história se repete, com os ingleses virando fregueses de caderneta? O jogo que entrou para a história em Belo Horizonte completa sessenta anos.
A Inglaterra está muito forte para esta Copa; é uma das favoritas. Mas os americanos também evoluíram muito a partir de lá. E, a cada nova Copa, dão mais trabalho. É só lembrar o sufoco que passamos com eles em 94.
É, vai ser um jogo bom de se ver, mesmo com caneladas e chutões. Esse eu não quero perder...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Futebol que não acaba mais...

Noite de sexta-feira. Enquanto me recupero de uma pequena cirurgia na boca, resolvi navegar um pouco na web. Quase todos os sites falam a respeito dos campeonatos em andamento. A Libertadores vai se afunilando. A Copa do Brasil já está só por quatro sobreviventes (Santos, Grêmio, Vitória e o surpreendente Atlético Goianense). E a Copa do Mundo está aí, agigantando-se aos nossos olhos. As copas européias também estão às portas da decisão...
Além disso, amanhã começa a série A do Brasileirão.
Então, o que mais faltava?
Pois não é que ainda tinha mais bola pra rolar?
Na série B, a briga está começando hoje. Bahia, Portuguesa, América de Minas, Vila Nova, Bragantino, Ponte Preta... todos estão em campo, em quatro jogos. Isso para falar apenas dos times de tradição.
É, acho que depois da Copa não vamos poder nem ouvir falar em futebol...